Práticas Integrativas Complementares de Saúde (PICS)
uma reflexão sobre a participação da Arteterapia no campo das políticas públicas de Saúde
Resumo
O presente volume da Revista de Arteterapia da AATESP apresenta o debate desenvolvido no VII Fórum Paulista de Arteterapia, em novembro de 2017. O evento teve sede em Campinas, favorecendo a participação do público residente fora da região metropolitana de São Paulo. A lotação completa do auditório aponta para a importância da aproximação da AATESP dos diversos públicos que compõem nossa associação, além da relevância do debate científico e das atualizações e compartilhar de técnicas promovidos no Fórum e registrados na Revista.
Cristina Pinto Lopes e Luana Maria Rotolo apresentam o artigo Arteterapia no SUS: um caminho em busca da integralidade em saúde. Com um foco sócio histórico e político, é destacado o Sistema Único de Saúde como resultante de longa luta pelo reconhecimento da saúde como um direito social. A partir da análise criteriosa dos princípios básicos do SUS, o texto coloca em evidência um sistema que se opõe ao modelo biomédico vigente e abre a possibilidade de outras práticas de saúde serem abrigadas no seu bojo. A Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (2006 e 2017) é apontada como um avanço nesse sentido, culminando, inclusive, com a inclusão da Arteterapia, o que traz novos desafios no exercício profissional e na formação dos arteterapeutas. Além disso, as autoras apontam o momento de retrocesso de políticas públicas, dos direitos sociais e conclamam que os arteterapeutas se unam em defesa do SUS e de práticas ampliadas de saúde.
Márcia Machado de Moraes, em seu artigo “Inter-invenção: Arteterapia e política pública, aborda com clareza e objetividade, a complexa questão sobre a inserção e participação da Arteterapia no campo da Saúde Coletiva, como Prática Integrativa e Complementar em Saúde. A partir dos princípios que sustentam o Sistema único de Saúde (SUS), da definição dos conceitos de saúde, de público, de coletivo, a autora lança o desafio da busca de novos paradigmas para uma clínica que não perca suas referências mas se adapte ao novo contexto.
Além do debate teórico conceitual, foram desenvolvidas ações poéticas, que privilegiaram a atuação arteterapêutica e contemplaram todo o grupo de participantes.
Ana Alice Francisquetti e Tânia Freire conduziram a ação A poética da cor do som. Foi destacada a importância do som e da música , tanto na vida cotidiana, como no trabalho arteterapêutico. Tendo como base uma pesquisa sobre a relação entre Artes Visuais e Música, foi proposta uma vivência aos participantes do VII Fórum, visando a refletir como a música pode levar ao ato criador, quer de um desenho, quer de uma pintura.
Também dentro das ações poéticas, Ana Carmen Nogueira conduziu a ação poética Ser adeterapeuta — uma ação poética. A autora propôs uma reflexão sobre o que é ser arteterapeuta, por meio de uma viagem metafórica a territórios imaginados da Arteterapia. A partir de pesquisa sobre os termos poesia, experiência estética e agir terapê“uti“co, Nogueira construiu um complexo jogo de ação e reflexão sobre o percurso dos arteterapeutas presentes ao Fórum pelos territórios apresentados pela autora, ou por novos territórios que os participantes criassem.
Por fim, gostaríamos de agradecer a presença de uma das pioneiras da Arteterapia no Brasil, Maria Margarida de Carvalho no VII Fórum. Agradecemos, também, à Ana Alice Francisquetti, autora da imagem que ilustrou cartazes, folhetos e folder do VII Fórum e que também compõe a capa deste número da Revista. Agradecemos ainda aos leitores, desejando-lhes uma proveitosa leitura, que os inspire a produzir artigos e compartilhar experiências e saberes sobre Arteterapia neste periódico. Carecemos de bom acervo teórico para fortalecer a Arteterapia, tanto no âmbito de nossas práticas, como para ampliar sua visibilidade no cenário profissional brasileiro.