Arteterapia
um diálogo entre profissionais do campo e entre profissionais de campos com raiz na Arte
Resumo
O VIII Fórum Paulista de Arteterapia, promovido pela AATESP, foi sediado em São Paulo e ocorreu em 18 de agosto de 2018. Seu objetivo foi promover tanto o diálogo entre arteterapeutas, como estender tal diálogo a arteterapeutas e profissionais que utilizam a Arte em outros contextos e com outras finalidades. Este exemplar da Revista compartilha com os leitores a experiência vivida naquele encontro, incluindo, assim, os artigos produzidos por arteterapeutas e também aqueles produzidos por autores de áreas afins.
A arteterapeuta Eliana Cecília Ciasca apresenta-nos um artigo a partir de suas experiências no Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.O trabalho foi desenvolvido junto a pacientes idosos com doença de Alzheimer, em dois momentos distintos. No primeiro momento, a Arteterapia foi empregada junto aos pacientes e também a seus cuidadores, como uma das propostas de intervenção não farmacológica. O segundo momento consiste da pesquisa experimental que deu base à dissertação de mestrado de Ciasca. Trata-se de um processo arteterapêutico junto à mesma população, porém focalizando pacientes com depressão. O rigor metodológico descrito caminha ao encontro de nossos anseios como arteterapeutas, em busca do reconhecimento da Arteterapia como profissão.
A contribuição de Amanda Fonseca Tojal nos traz o papel social, cultural e educacional de museus e outras instituições culturais. Os museus são apresentados como instituições comprometidas com a educação estética, cultural e patrimonial da população, como um todo. A autora destaca a crescente preocupação em incluir populações com necessidades especiais, o que demanda propostas específicas para cada grupo a ser incluído, construídas em parceria entre os educadores do museu e os arteterapeutas que atendem tais grupos. Apreende-se desse processo a constituição de um museu vivo, que contribui para o desenvolvimento cultural da população geral e dos grupos específicos, permitindo o acesso à Arte, em suas diferentes modalidades a todos e cada um.
Livia Santa Cecilia de Moraes, constrói seu artigo tendo como tema sua experiência em seu estágio de formação em Arteterapia. Com fundamentação winnicottiana a autora ressalta pontos importantes na relação terapeuta/cliente, as dificuldades encontradas no decorrer do processo terapêutico e a importância da supervisão, numa leitura cuidadosa da teoria, na observação de si mesma e de seus clientes, na escolha de técnicas e materiais, para que efetivamente pudesse se constituir num profissional capacitado plenamente. Grande destaque é dado também à supervisão, indispensável no início da carreira e indicada também mais tarde, quando se fizer necessário por quaisquer razões.
Beatriz do Carmo Rodrigues Dias apresenta um estudo sobre o processo arteterapêutico, acompanhado de práticas corporais de uma mulher obesa. Os recursos expressivos disparadores foram: os quatro elementos da natureza, as deusas: Héstia, Afrodite, Sheila Na Gig, Lilith e Eva. As práticas corporais eleitas foram: técnicas respiratórias, massagem da Ayurvédica e movimentos da dança do ventre. Os resultados apontam que a junção da Arteterapia a técnicas corporais constitui um instrumento poderoso no tratamento e pesquisa da obesidade como um problema de saúde.
Esperamos que a leitura de uma produção tão diversa possa inspirar os leitores a compartilharem conosco suas práticas e reflexões teóricas. As normas para a produção dos artigos encontram-se no final do exemplar.
Boa leitura.