Desenhos, bordados e histórias
instrumentos arteterapêuticos para o cuidado do ser humano
Resumo
A Revista de Arteterapia da AATESP, em seu décimo volume, honra-se em apresentar ao nosso público leitor uma surpreendente coleção de textos instigantes, que colocam em evidência o alcance e a efetividade do trabalho arteterapêutico em diferentes cenários. Contamos com um artigo original e com mais quatro, que resultaram de apresentações no I Congresso Paulista de Arteterapia/ IX Fórum de Arteterapia da AATESP, em 2019.
O artigo original, de autoria de Cleciane Santos Sousa, Ana Cláudia A. Valladares-Torres, Diane M.S.K. Lago e Adriana M. Duarte, Arteterapia e o público infanto-juvenil: a autoimagem representada por crianças e adolescentes com doença crônica, busca verificar se o Desenho da Figura Humana (DFH), obtido a partir do desenho-história, pode servir como uma estratégia de comunicação desse público. As autoras procuram compreender também, se o DFH pode ser um acesso ao mundo subjetivo da clientela em pauta e favorecer a humanização dos cuidados a ela. O material é ricamente ilustrado pelos desenhos e relatos das crianças e adolescentes, colocando em evidência como a doença é vivenciada, além das expectativas e sonhos das referidas crianças e adolescentes. O artigo constitui uma leitura imprescindível ao arteterapeuta que atende crianças e jovens com problemas graves de saúde.
Tania Cristina Freire, no artigo Arte, memória e ancestralidade: bordando memórias, traz um estudo sobre a memória, partindo da visão filosófica até as recentes concepções das Neurociências e sua importância no campo da Arteterapia. A discussão é direcionada para o trabalho arteterapêutico de bordado com idosos em Centro de Convivência. O bordado mostrou-se potente no resgate de memórias implícitas e explícitas, tanto de pacientes como da terapeuta.
No artigo Contar histórias: uma voz simples que tece emoçóes, Alessandra Giordano aborda os contos de tradição oral como instrumento do processo arteterapêutico. Aliados a conceitos da Psicologia Analítica, os contos de tradição oral levam à ampliação da consciência e à superação de conflitos, dando visibilidade ao mundo interno, fazendo-se necessários em um mundo com tão grande predomínio tecnológico.
De torres, teares e tendas: correlações entre o feminino e o tecer à luz da Psicologia Analítica, de Oneide Regina Depret também dedica-se ao estudo das histórias como instrumento arteterapêutico. Aqui é contemplada uma história contemporânea de cinema: o filme Colcha de Retalhos é analisado. A teoria que fundamenta a discussão é a Psicologia Analítica. A autora ainda nos oferece algumas propostas de atividades arteterapêuticas com fios, a partir de histórias cujas protagonistas são tecelãs.
Encerrando o número, As tarefas do humano na fase jovem/adulto: modulaçóes permeadas pela Arteterapia em um tempo e espaço, de Lídia Lacava apresenta a Arteterapia com fundamentação na Gestalt-terapia como uma possibilidade de atuação em processos terapêuticos de jovens e adultos. O artigo contribui para a compreensão dessa etapa do ciclo de vida, mesclando os conteúdos teóricos com exemplos de casos clínicos.
Desejamos aos leitores uma proveitosa leitura e convidamos todos a partilhar conosco suas reflexões, estudos de caso e demais contribuições para a fundamentação teórica de nossa profissão.