Expandindo fronteiras

Autores

  • Leila Nazareth

Resumo

Finalizamos mais um número de nossa revista reunindo uma farta variedade de temas, que apontam para uma expansão das fronteiras da Arteterapia brasileira. O primeiro artigo traz a colaboração de uma autora de origem portuguesa, doutoranda em psicologia na Universidade de Toulouse, o que coloca nossa revista no início de um intercâmbio com autores internacionais. Contamos também com excelentes autores brasileiros que nos brindaram com trabalhos de muita qualidade, contribuindo, assim, para a consolidação da Arteterapia para além das fronteiras do território brasileiro. O presente exemplar da Revista de Arteterapia da AATESP conta com dois artigos originais, um artigo a partir da apresentação no I Congresso Paulista de Arteterapia e IX Fórum da AATESP , um relato de experiência e, para aguçar a curisiodade do leitor, o resumo de um artigo a ser publicado em futuro próximo, versando sobre o uso do barro na clínica arteterapêutica.

No artigo original A Arteterapia na Casa de Saúde Câmara Pestana: o atelier de escrita de Maria do Céu Alves, a autora relata sua experiência com mulheres institucionalizadas em hospital psiquiátrico. De formação psicanalítica, a autora questiona sobre os efeitos da institucionalização na manutenção da identidade dessas mulheres ao longo do tempo em que permanecem isoladas.. Aplicando a técnica de atelier de escrita, relata as dificuldades e os potenciais desse trabalho e seus resultados.

O texto seguinte também se refere a pessoas que apresentam questões de saúde mental. Intitulado Uso de histórias em Arteterapia: perspectiva terapêutica para mulheres dependentes de drogas de Ana Cláudia Afonso Valladares-Torres e Daniela Sousa Santos Moreira, o trabalho relata a pesquisa realizada com 22 mulheres usuárias de drogas em atelier arteterapêutico a partir do uso de história e posterior produção artistica tridimensional. Apesar de limites quanto à amostra e tipo de instituição, a pesquisa evidenciou a importância dos arteterapeutas ampliarem sua atuação, ingressando no campo da Saúde Mental. Foi destacada a relevância da arte no fortalecimento do vínculo e no desenvolvimento da criatividade, particularmente na assistência a mulheres dependentes de drogas. As autoras destacam, por fim a importância das práticas integrativas e complementares no campo da Saúde Mental, e, em especial, da Arteterapia, o que pode levar às mulheres dependentes de drogas um leque diversificado de atividades terapêuticas, para além do tratamento medicamentoso.

Lara Nassar Scalise apresenta o artigo Do trabalho ao trabalho criativo: discutindo a formação profissional numa abordagem de cunho teórico, com o objetivo de expandir o conhecimento dos arteterapeutas sobre o saber fazer criativo. Aqui também, encontramos uma abertura de nova perspectiva. O tema trabalho tem sido muito pouco abordado nos estudos da Arteterapia. Scalise analisa as mudanças do conceito de trabalho ao longo da história do homem e nos mostra a importância do trabalho criativo, no qual o indivíduo deixa de ser mero reprodutor de um modelo para transformá-lo, tomando em suas mãos a capacidade de modificar o mundo e a sociedade. Um ser participativo e não um mero reprodutor. É enfatizado o potencial transformador do trabalho criativo, não só para o sujeito trabalhador, mas também para o grupo social em que está inserido.

Após o mergulho no campo teórico, seguimos para um artigo relato de experiência vivida por uma das mulheres de um grupo de cuidadoras que participaram de um trabalho arteterapêutico: Com o título de A arteterapia como instrumento para o fortalecimento da mulher cuidadora, a autora, Miriam Aparecida da Rocha Joaquim trabalhou com um grupo de mulheres catequistas de uma paróquia em Joinville – SC, tendo abordado uma participante específica no presente estudo. Sua fundamentação teórica foi a Psicologia Analítica de C.G.Jung. Joaquim focaliza o uso das cores para auxiliar a emergência de sentimentos vividos pela participante em diferentes momentos de sua vida e que, no entanto, haviam permanecido ocultos ao longo de sua vida. As oficinas arteterapêuticas fortaleceram o emocional dessa mulher, que pode então traçar metas para a nova vida que desejava viver.

Regina Fiorezzi Chiesa encerra este número da Revista com um resumo de uma de suas especialidades, em termos de material e técnica, como arteterapeuta, O ser criativo e o barro: uma volta às raízes. Aguça nossa curiosidade sobre o artigo que em breve será publicado em nossa revista.

Desejamos a todos uma excelente leitura e destacamos, que nossa revista está aberta à contribuição de vocês, colegas arteterapeutas. Ensaios teóricos, relatos de experiências, e outras produções do campo da Arteterapia serão muito benvindos.

Downloads

Publicado

2026-03-27

Como Citar

Nazareth, L. (2026). Expandindo fronteiras . Revista AATESP, 10(2), 2–4. Recuperado de https://revista.aatesp.com.br/index.php/ojs/article/view/146

Edição

Seção

Editorial