Símbolos de poder como rituais do adolescer
o espaço arteterapêutico promovendo escuta, diálogo e ressignificações
Resumo
Trabalho apresentado no I Congresso Paulista de Arteterapia e IX Fórum AATESP, realizados em 14 e 15.11.19.
Este trabalho tem como objetivo registrar e compartilhar experiências arteterapêuticas em um grupo de adolescentes. A adolescência como ciclo da vida em que a criança segue seu desenvolvimento rumo à idade adulta, deixando o conforto do ambiente conhecido e vivido por muitos anos, faz emergir neles inúmeras dúvidas, medos, espanto em relação às mudanças ocorridas no corpo, mente e alma da flor que se abre e se transforma. Acresce-se a isso a dificuldade de escolher ser uma pessoa única ou seguir o grupo a que pertence e que nesse momento tem um forte impacto em seus comportamentos e decisões. Durante o processo arteterapêutico os adolescentes colocaram com ênfase uma dúvida: como ser eu mesmo e ainda assim conviver em harmonia com meus pares, aceitando-os e sendo aceitos? A resposta veio com muita clareza num encontro no qual a construção de instrumentos musicais e a concretização de seus sons em música foi o fio condutor para o contato consigo mesmos e descoberta de suas potencialidades como seres diferenciados. Esses instrumentos surgiram como símbolos de si mesmos, mostrando-lhes suas potencialidades como força condutora pessoal. Foi possível então reconhecer o potencial da arteterapia no trabalho com adolescentes que muitas vezes têm dificuldade em elaborar seus conflitos pelo verbal. Reconhecendo, inclusive, o papel do arteterapeuta com sua escuta e acolhimento sensíveis no reconhecimento das necessidades, na abertura na busca de resposta para essa questão que os incomodava.