Abrindo caminhos

Autores

  • Leila Nazareth

Resumo

O período de isolamento social, decorrente das medidas de contenção para a pandemia de COVID-19, representou grandes alterações no cotidiano de pessoas ao redor do mundo. Transformações na maneira de trabalhar, estudar, relacionar-se caracterizam o existir nestes tempos incertos. Sentimentos de tristeza, depressão, luto e insegurança alternam-se com esperança e fé na capacidade de a humanidade superar e resolver o intrincado enigma de viver e sobreviver a este cenário de caos. As profissões de cuidado à saúde mental, dentre elas destaca-se a Arteterapia, escutaram o apelo da sociedade e passaram a ocupar o ciberespaço, promovendo atendimentos on line, lives, oficinas, enfim, prestando todo o tipo de suporte a pessoas em sofrimento psíquico ou psicossocial. Temos, neste número da Revista de Arteterapia da AATESP, relato de experiência nessa nova modalidade de atuação. Alguns outros trabalhos, ainda do período anterior à pandemia, também compõem nosso volume.

O primeiro artigo, Grilhão, argola, corrente: uma mesma imagem, diferentes significados, foi produzido por Ana Carmen Nogueira, que se dedica a uma reflexão sobre a leitura de imagens e a pessoa com deficiência visual. A partir da obra de Chien Chi, que integrou a da 25ª Bienal de São Paulo, analisada por Azevedo (2009), a autora dialoga com teóricos, como Manguel, Martins e Sontag, produzindo uma instigante reflexão sobre o campo da imagem e da subjetividade. Assim, a reflexão sobre a imagem e suas implicações na concepção de cada pessoa sobre si e sobre o mundo que a cerca pode abrir um rico campo de atuação na Arteterapia, no atendimento a pessoas com deficiências visuais. O arteterapeuta, como todos aqueles que trabalham com Arte, pode assumir o papel de mediar as relações do seu cliente com o universo das imagens, promovendo o diálogo entre o sujeito e a imagem que lhe é apresentada.

Na sequência, encontramo-nos com Efeitos da Arteterapia em um grupo de mulheres com Esclerose Múltipla durante um período de isolamento social pela COVID-19, de Teresa Kam Teng, Mari T. Zampieri e Alice Estevo Dias. As autoras relatam o atendimento remoto a mulheres com esclerose múltipla (EM) durante o período de isolamento social determinado pela pandemia de covid-19. O atendimento ocorreu durante quatro meses e seguiu o formato de oficinas. O objetivo foi acolher e escutar as ansiedades dessas mulheres, favorecendo o exercício da criatividade, a troca, a reflexão e o autoconhecimento. As sessões aconteceram em plataforma digital, com frequência semanal e duração de uma hora. Os resultados destacam o valor da Arteterapia para o bem estar do grupo de mulheres atendido, confirmando que oficinas em forma digital podem ser opção para o trabalho arteterapêutico.

Natávia F. M. Domingueti e Karen R. S. S. Saviotti trazem uma importante reflexão sobre o emprego da Arteterapia no acompanhamento de paciente com ideação suicida. O artigo, intitulado Benefícios do acompanhamento arteterapêutico na ideação suicida, apresenta a análise de um caso clínico a partir da descrição do atendimento de uma adolescente, no período de 1 ano e 6 meses. As técnicas empregadas foram desenho, pintura, colagem, mosaico e argila. Foram trazidas 9 sessões, nas quais se pode observar a redução da ideação suicida e o resgate da autoestima.

Da diversidade de caminhos percorridos, de redes sociais tecidas, de significados redefinidos, das parcerias entre arteterapeutas, construiu-se este exemplar de nossa revista. Desejamos a todos uma boa leitura e muita inspiração para novos projetos, que gerarão novos textos, que teremos muito prazer em compartilhar em nossas páginas.

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Publicado

2026-03-27

Como Citar

Nazareth, L. (2026). Abrindo caminhos. Revista AATESP, 12(1), 2–3. Recuperado de https://revista.aatesp.com.br/index.php/ojs/article/view/167

Edição

Seção

Editorial