Arteterapia
muitas possibilidades de atuação
Resumo
A Arteterapia brasileira vem buscando sistematicamente sua inserção no campo das profissões que cuidam da saúde e inclusão social das pessoas em seus cursos de vida. Muito espaço foi conquistado durante o período pandêmico. Sabemos, porém, que muito ainda precisa ser feito no que diz respeito à regulamentação da profissão. O ano de 2022 assistiu a um significativo progresso em nossa caminhada rumo à oficialização de nossa atividade laborativa. A aprovação de nosso projeto de lei na segunda comissão, a Comissão Parlamentar do Trabalho da Câmara de Deputados, enche nossos corações de esperança. É importante assinalar que essa vitória se deu, em parte, pela reunião dos trabalhos científicos que produzimos durante todos esses anos de implantação e implementação da Arteterapia no Brasil. A Revista de Arteterapia da AATESP orgulha-se em ser um dos espaços abertos para o acolhimento das produções científicas de nossa comunidade. No exemplar atual, contamos com uma contribuição bastante expressiva das diferentes linhas de pesquisa que estão em curso em várias localidades do Brasil. Passemos a examinar o que compõe este volume.
Terapias com mulheres gestantes – uma revisão integrativa da literatura, de Bianca GQ Ribeiro e Ana Claudia A Valladares-Torres, tem o objetivo de analisar o uso de terapias que envolvam Arte com mulheres gestantes. As autoras empreenderam uma revisão integrativa da literatura a partir de uma abordagem qualiquantitativa. Seus pressupostos dizem respeito ao que as terapias com arte desenvolvidas com mulheres gestantes focalizam no bem-estar físico e emocional da mulher gestante e favorecem a criação do vínculo mãe-bebê. As plataformas em que se efetivou a pesquisa foram SciELO, BVS e Google Acadêmico. O período analisado foi de 2004 a 2020, tendo sido localizados apenas 12 artigos. Os resultados, além de apontarem para a escassez de produção na área, ressaltam a influência positiva na criação do vínculo de familiares com o bebê e favoreceram melhor compreensão do período de gravidez e das emoções das gestantes. Assim, com a evidência da relevância do tema para um grupo que tem grande necessidade de atendimentos terapêuticos, as autoras propõem o futuro desenvolvimento de oficinas dentro das Práticas Integrativas e Complementares de Saúde.
O artigo que vem na sequência também aborda a questão da mulher. Intitulado Havia uma menopausa no meio do caminho: a arteterapia na metanoia da mulher de meia idade, escrito por Isabel Cristina Carvalho Pires, desenvolve-se como um estudo teórico sobre a metanoia e a menopausa vivenciadas por mulheres de meia idade, investigando como a Arteterapia pode contribuir para que essa passagem possa ocorrer de maneira profunda e equilibrada. Pires fundamenta-se com estudos sobre menopausa e mulheres na meia idade, do ponto de vista orgânico, iluminados pela compreensão junguiana (Jung, Stein). Analisa proposta de atendimento arteterapêutico, principalmente com enfoque junguiano (Pliloppini e Diniz), além da arteterapia gestáltica (Ciornai). A autora encerra sua análise sugerindo a necessidade de aprofundamento em estudos que contemplem mulheres na meia idade e menopausa, período de intensas mudanças físicas e emocionais nesse grupo populacional.
Em seguida, está o artigo de Natália Dorlitz Beraldo intitulado O movimento abstrato do teatro físico como expressividade na Arteterapia. Seu objetivo foi investigar o Teatro Físico (Jacques Lecoq) como recurso expressivo de autoconhecimento. Foram realizadas oficinas com três grupos, que corroboraram o objetivo proposto, além de levarem ao aumento do autocuidado, da consciência corporal, da compreensão e do autoacolhimento. Evidenciou-se assim, que o teatro físico constitui uma linguagem artística que muito pode contribuir para o trabalho arteterapêutico.
O exemplar prossegue com um relato de experiência de atendimento arteterapêutico com uma pessoa com transtorno obsessivo compulsivo (TOC), de Monica de Melo Petroni. A autora atendeu uma paciente com TOC, por meio da arteterapia, com aportes da Psicologia Analítica (Jung, Byington e Whitmont) e das Neurociências, buscando compreender como o processo arteterapêutico impactaria as regiões cerebrais envolvidas no TOC. A conclusão é de que a Arteterapia analítica oferece a possibilidade de tratamento ao paciente com TOC de maneira criativa e humana, podendo contribuir para a ampliação da consciência, favorecendo a resiliência emocional e a autonomia desse grupo de pacientes.
Na sequência, Patrícia Canlesso Marcelino traz sua produção Utilização do pentáculo do bem-estar na Arteterapia. Trata-se de um estudo sobre a aplicação desse instrumento, o pentáculo do bem-estar (PBE), uma escala de avaliação de estilo de vida, como uma ferramenta para uma avaliação rápida e não invasiva, com finalidade de sondagem e diagnóstico. A autora traz o relato da aplicação que foi feita em uma turma de discentes de Arteterapia na universidade onde leciona.
A Revista encerra com a apresentação dos resumos de livros que tiveram seu lançamento durante o 12º Fórum de Arteterapia, em 2022. São eles: O caminho eu sou: 8 sessões de Arteterapia num círculo de cura, de Claudia Colagrande; Arteterapia e Genesis: o ser humano como cocriador do universo, de Fabíola maria Gaspar; Alquimia na clínica, de Irene Gaeta; Contos de Babel nos porões da alma, de Irene Gaeta; Travessias no tempo: arte e Jung, de Irene Gaeta; Arteterapia no contexto social e comunitário, de Selma Ciornai e Natália Harumi Pieczarka; Arteterapia no processo de envelhecimento, de Ciornai, Oliveira, Schwinden, Cavalieri et al.; Os quatro elementos, de Valéria da Cruz Monteiro.
Desejamos que a leitura dos trabalhos aqui compartilhados seja inspiração para novas práticas e novos estudos teóricos. Lembramos que a revista está aberta para acolher a produção de todos os arteterapeutas que quiserem compartilhar suas questões com nossa comunidade profissional. As orientações para o envio de material constam do final deste exemplar.