Arteterapia, uma prática de atenção ao ser humano

Autores

  • Leila Nazareth

Resumo

A Arteterapia brasileira vem ocupando espaços importantes no cuidado com o ser humano em diferentes contextos e em diferentes etapas do seu percurso de vida. Neste exemplar, mais uma vez, contamos com uma diversidade de possibilidades de atuação, com resultados que nos animam a prosseguir com o nosso trabalho dedicado e criterioso. Convido nossos leitores a buscar conhecimento e inspiração nos textos que compõem este volume.

Iniciamos com a produção de Raquel Trindade, Contos do deserto: as histórias da tradição oral sufi à luz da Psicologia Analítica. A autora teve como objetivo investigar os contos de tradição oral sufi como recurso terapêutico, sob o enfoque da Psicologia Analítica de Jung. O estudo consistiu em pesquisa bibliográfica e documental. A conclusão aponta para que os contos de tradição oral sufi podem atuar como um potente recurso terapêutico, por possibilitarem a função transcendente conceituada por Jung. Cabe a nós, arteterapeutas, pesquisar a utilização de tão valioso recurso em nosso campo de atuação.

Na sequência, encontramos a contribuição de Marilena Alves Valentim Ramos com o artigo Bonecas poéticas e arteterapia: uma conexão com a arte, a ancestralidade, a natureza e a alma. O objetivo geral deste texto foi analisar a conexão entre bonecas poéticas e Arteterapia. Foram realizadas pesquisas teóricas sobre Arteterapia e observações assistemáticas de grupos de vivência terapêutica com bonecas poéticas. Com esse estudo, a autora concluiu que o processo terapêutico mediado por tais vivências favoreceu a ressignificação de afetos e histórias pessoais, auxiliando no processo de individuação.

Cintia Pereira Jerônimo apresenta o relato de experiência Arteterapia e adolescência: ressignificando histórias de vida de jovens em situação de vulnerabilidade. O trabalho visou a melhora da qualidade de vida de 30 adolescentes, com idade entre 11 e 14 anos, em situação de vulnerabilidade social. A teoria que fundamentou a prática arteterapêutica e a análise dos dados foi a Psicologia Analítica de Jung. Como conclusão, foi apontado que o trabalho possibilitou a expressão de emoções bloqueadas e a melhora da autoestima, levando o grupo ao reconhecimento de suas potencialidades. Também foi assinalado que o processo arteterapêutico facilitou a compreensão das responsabilidades pessoais e sociais dos jovens em estudo.

Seguimos com mais um relato de experiência, intitulado Um relato sobre o trabalho de Arteterapia no contexto hospitalar, de Patricia Carlesso Marcelino. Trata-se da descrição de um processo arteterapêutico desenvolvido na ala de psiquiatria de um hospital de Sertão, cidade localizada no Rio Grande do Sul. Para esse estudo, foram promovidas sessões semanais, individuais ou em pequenos grupos durante o período de 2021 a 2023. No estudo, buscou-se atender as necessidades de cada paciente por meio de atividades artísticas e corporais. A autora apontou como conclusão que a Arteterapia, como prática alternativa e complementar de saúde, pode auxiliar na promoção, na reabilitação e na recuperação da saúde integral, por meio do emprego de arte e sensibilidade.

Na sequência, é apresentado o estudo de caso O abuso contrai, a ansiedade consome e a Arteterapia transborda, de Andrea Fabiana Rosas. Esse estudo tem como objetivo compreender a Arteterapia como ferramenta de suporte a mulheres vítimas de violência            doméstica       e/ou     relacionamentos abusivos. Nele, é descrito o processo arteterapêutico de uma mulher de 52 anos, seguindo o método das Oficinas Criativas (Alessandrini). Os resultados sugerem que a Arteterapia pode constituir uma relevante ferramenta para a recuperação de mulheres vítimas de violência e transtornos de ansiedade. Por fim, há o resumo de Tatiana Fecchio ENTRE: materialidades e afetos. É apresentado o livro, com o mesmo título, resultado de uma investigação conjunta sobre materialidades no campo da Arteterapia. O processo de investigação se deu entre 2019 e 2021. A pesquisa entre Arteterapia e materialidade é de suma importância para ampliar a compreensão de nossa atuação terapêutica. Não há pretensão de esgotar o tema, mas sim lançar luz em modos de lidar com os estados de materialidade e as potencialidades simbólicas a serem alcançadas nessa seara.

Desejamos a todos uma proveitosa leitura! Que ela seja fonte de inspiração para atuações criativas e bem fundamentadas. Aproveitamos para convidá-los a apresentarem suas experiências profissionais na Revista de Arteterapia da AATESP, sob o formato de artigos científicos. No final deste número estão as orientações para a apresentação. Dispomos também de um template para facilitar a adesão ao formato exigido.

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Publicado

2026-03-27

Como Citar

Nazareth, L. (2026). Arteterapia, uma prática de atenção ao ser humano. Revista AATESP, 14(1), 2–3. Recuperado de https://revista.aatesp.com.br/index.php/ojs/article/view/199

Edição

Seção

Artigos