Arteterapia na área da Saúde
terapia e reabilitação
Resumo
O presente exemplar dedica-se à Arteterapia na área da Saúde. Parte dos textos apresentados aqui aborda a terapia na Saúde Mental e a outra parte dedica-se à reabilitação.
O exemplar inicia com dois artigos sobre Arteterapia e Saúde Mental. O primeiro a ser apresentado é o artigo original Depressão, criatividade e a terapias criativas, de Mariana P. Ricardi e Sandro J. da S. Leite. O artigo aborda, inspirado na obra de Han (2021) Sociedade do cansaço, as relações entre transtornos mentais e o emprego das artes como terapia. O objetivo é estudar o quadro depressivo, a criatividade, o retrato da depressão nas artes e o artista depressivo, focalizando também em evidências de como diferentes formas de terapias criativas (Musicoterapia, Arteterapia e Dança/movimento terapia) se mostram eficazes na prevenção e no tratamento de tais transtornos. São analisadas diferentes produções artísticas e são destacados diversos exemplos contemporâneos de artistas que viveram processos depressivos. São apresentados estudos em que cada uma das modalidades terapêuticas aqui abordadas é investigada quanto a sua eficácia. Os autores concluem que as três modalidades de terapias criativas – Arteterapia, Musicoterapia e Dança/movimento terapia podem levar à redução de sintomas depressivos, ajudando a pessoa atendida atingir uma melhor qualidade de vida.
Andrea G. de Carvalho traz o relato de experiência Ansiedade na adolescência: uma abordagem arteterapêutica, apresentando o relato de um atendimento clínico em Arteterapia de uma adolescente de 14 anos. A base teórica usada nesse estudo foi a psicologia analítica de Jung e o processo iniciou presencialmente, tendo passado para o virtual durante o período pandêmico da Covid-19. O objetivo do trabalho foi evidenciar como a Arteterapia pode contribuir para a eliminação dos sintomas de ansiedade, angústia, ideação suicida e automutilação. A autora destaca o processo lúdico e prazeroso que a Arteterapia proporciona, enfatizando que a condução segura nessa caminhada é fundamental para o enfrentamento e a elaboração do material que surge durante o processo. Iniciando a sequência de artigos sobre arte-reabilitação, encontramos a produção de Emanoella M. P. Sato, Ana C. Nogueira e Tania C. Freire com o título Desvendando o Museu do Piauí e o Mercado Velho: um estudo de caso sobre a arte-reabilitação em espaços públicos. O relato de experiência apresenta o atendimento a um paciente adulto, de 40 anos, em recuperação de acidente vascular encefálico. Os objetivos do processo de arte-reabilitação foram estimular a percepção visual, o hemicorpo D e a comunicação. Como avaliação pré e pós-intervenção foram aplicados o Mini Exame do Estado Mental (MEEM), o desenho da família e o autorretrato. As atividades desenrolaram-se nas dependências do Museu do Piauí e do Mercado Velho (Terezina-PI). O trabalho centrou-se na análise de fotografias que o cliente fez nesses locais. Os resultados apontam para a melhora do equilíbrio corporal, do uso do espaço ao lado direito e da comunicação. As autoras assinalam que espaços fora dos limites de um consultório podem ser uma alternativa importante na valorização das pessoas com deficiência.
Rosane C. S. Perrote e Tania C. Freire brindam-nos com o artigo O brincar na arte reabilitação: relato de caso com criança com paralisia cerebral. Nesse estudo, as autoras abordam o atendimento em arte-reabilitação a uma criança de 2 anos no período de atendimento, com paralisia cerebral (PC) espástica. O objetivo foi destacar a importância do brincar no desenvolvimento sensório motor de crianças com paralisia cerebral. Como resultado, as autoras relacionam a melhora na interação com a terapeuta, aumento no contato visual e aumento na atenção. É destacada a importância do brincar como ferramenta no processo de arte-reabilitação de crianças.
Finalizando o exemplar, encontramos o estudo intitulado como A arte da dobradura e a criação de caixas: arte-reabilitação com uma pessoa idosa com doença de Alzheimer, de Eliza M.Y. Ota, Ana C. Nogueira e Tania C. Freire. Nesse estudo, o objetivo é mostrar como as propostas de arte-reabilitação podem atuar como estímulos cognitivos para pessoas idosas com doença de Alzheimer. O atendimento consistiu em atividades de dobradura, criação de caixas, atividades diárias de treino cognitivo, destacando-se a escrita de um diário. Foram utilizadas duas estratégias de reabilitação neuropsicológica: a evocação espaçada e a aprendizagem sem erro (Wilson, 2011). A conclusão do estudo indica que as atividades propostas auxiliaram no estímulo da memória e da temporalidade e no bem-estar da paciente. As autoras afirmam que a arte como estimulação cognitiva e catalisadora de emoções atua na valorização da pessoa idosa, favorecendo a autoestima, o bem-estar e a qualidade de vida.
Desejamos a todos(as) uma proveitosa leitura! Que ela possa ser inspiração para o compartilhamento das experiências e dos desafios que a Arteterapia nos oferece a cada dia. As instruções para a apresentação de artigos estão no final deste exemplar. É dessa contribuição generosa de cada profissional que se constrói uma Arteterapia fortalecida.