A Arteterapia consolidando-se como uma prática de saúde e qualidade de vida
Resumo
Arteterapeutas leitores, a Revista de Arteterapia da AATESP traz, em seu novo número, uma pequena coleção de artigos. A expressão artística no trabalho arteterapêutico se faz presente em todos os artigos, destacando o papel catalisador de processos psíquicos. A criatividade, a expressão e a ampliação da percepção também são apresentadas como índices de melhora na qualidade de vida.
No primeiro artigo, Diálogos com as expressões simbólicas no processo de individuação, Jéssica Valéria Alves Bezerra apresenta um estudo de caso, abordando o processo de individuação de uma analisanda, JB, durante seu processo terapêutico – Psicologia analítica de Jung. Também são estudadas as contribuições das vivências artísticas a esse processo terapêutico advindas da participação da analisanda nas aulas de sua formação em Arteterapia. O objetivo geral foi, a partir de um estudo de caso, apresentar estágios da psique sob o enfoque da psicologia analítica de C. G. Jung, destacando as contribuições da arte para o processo de individuação da analisanda. Como resultado, a autora destaca que os recursos artísticos constituíram importante canal para a livre expressão da analisanda, possibilitando também o acesso a conteúdos alheios à sua consciência. Bezerra conclui que seu estudo contribui para a compreensão do papel da Arte na psicoterapia e na expansão da consciência, atuando como acesso a conteúdos inconscientes.
Na sequência, é apresentado o artigo de Eveline Pereira Carrano, Estudos sobre a arte aplicada ao âmbito psicoterapêutico e a subjetividade das imagens. Trata-se de artigo produzido a partir da tese de doutorado que defendeu na Universidad Del Salvador, em 2018. O estudo apresenta a subjetividade humana e sua expressão sob a forma de arte no setting terapêutico, analisando também teorias sobre elementos visuais, sua linguagem e expressão visual. Aborda, ainda, a análise semiótica da imagem na Arte, por meio de uma análise da obra A criação do Sol, da Lua e das Plantas, de Michelangelo Buonarroti, que se propôs a identificar a imagem como comunicação da subjetividade humana. Com isso, também foi possível demonstrar que a Arteterapia e a Psicologia Analítica de C. G. Jung favorecem a expressão da subjetividade humana, por meio do emprego de imagens.
Em seguida, encontramos o relato de experiência Obras de Arte como agentes potencializadores de processos criativos e autoconhecimento, de Paulette Vaisberg Gerecht. O estudo tem como proposta refletir sobre como as obras de arte podem se constituir como agentes potencializadores nos processos criativos e na ampliação da percepção, favorecendo a transformação em processos arteterapêuticos. O trabalho foi desenvolvido junto a um grupo de 5 mulheres com idades entre 39 e 61 anos. As atividades ocorreram em modo presencial e remoto, em virtude das limitações impostas pela pandemia de Covid-19. A proposta consistiu em apresentar obras de arte, que atuariam como indutoras do fluxo criativo do grupo. Na galeria, as participantes tiveram contato com as obras de arte propriamente ditas. Já no modo remoto, foram apresentados slides com imagens, que teriam a mesma função. Os resultados sugerem o maior uso de obras de arte no contexto arteterapêutico por seu papel sensibilizador e mobilizador da energia psíquica.
Como estudo de caso há o trabalho desenvolvido por Berenice Queiroz da Rocha e Sergio Henrique Gonçalves da Rocha, A Arteterapia concebendo o trauma como fator no tratamento do transtorno bipolar: um estudo de caso. Os autores apresentaram o processo de arteterapia no atendimento de uma mulher imigrante com diagnóstico de transtorno bipolar e comorbidade de transtorno do estresse pós-traumático (TEPT).
Encerrando o presente número, Iara Simonetti Racy, Ana Carmen Nogueira e Tania Cristina Freire apresentam o artigo Arte-reabilitação de funções cognitivas: um estudo de atenção e memória em adulto com deficiência intelectual. Esse estudo tem como base teórica a produção de Vygotsky, que postula que o desenvolvimento humano ocorre na interação entre os aspectos biológicos e o meio ambiente. O trabalho de arte-reabilitação foi desenvolvido junto a um adulto com deficiência intelectual não alfabetizado. As atividades abrangeram treino cognitivo, como leitura de calendário, além da releitura de obras da Tarsila do Amaral. Os resultados evidenciam a contribuição da Arte-reabilitação no processo de aprendizado e sugerem que novas propostas de intervenção podem levar ao fortalecimento da funcionalidade, bem como a uma melhor qualidade de vida das pessoas com deficiência intelectual.
Desejamos que esta leitura promova em cada arteterapeuta novos olhares e novas práticas em seu cotidiano. Esperamos também que desperte o desejo de compartilhar com a categoria suas descobertas, suas buscas. Por fim, desejamos que cada arteterapeuta possa trazer uma contribuição para a consolidação de nossa profissão. Para participar da Revista, siga as orientações no final do exemplar. Boa leitura a todos!