Arteterapia
diferentes contextos, diferentes públicos e uma prática consistente
Resumo
Para compor este número, as portas abertas da Revista de Arteterapia da AATESP receberam uma restrita coleção de três artigos. Se a quantidade nos surpreende por ser pequena, a qualidade nos surpreende mais ainda pela relevância dos temas tratados. Serão abordados Arteterapia e drogadição e o amor na relação terapêutica.
A Revista inicia com o artigo científico original O olhar feminino sobre o desenho em Arteterapia na dependência de drogas, produzido por Ana Cláudia A. Valladares-Torres e Laíza T. A. Rodrigues. O estudo foi desenvolvido em um CAPS-ad III do Distrito Federal. Seu objetivo geral foi compreender a percepção de mulheres dependentes de drogas por meio do desenho projetivo da ponte em Arteterapia; enquanto seu objetivo específico foi conhecer o perfil das pacientes que participaram da pesquisa. Os dados foram coletados em três etapas: a aplicação do questionário de levantamento do perfil das participantes, a criação do desenho da ponte em Arteterapia, e uma entrevista individual sobre o desenho realizado. Os dados foram avaliados por meio da análise de conteúdo, modalidade temática. Desse modo, as autoras concluíram que o desenho projetivo pode ser empregado para compreender o sofrimento das mulheres adictas e valorizar as particularidades de seu sofrimento e de suas potencialidades, de maneira lúdica e criativa.
Na sequência, encontra-se o artigo científico de revisão teórica, abordando também a questão do abuso de substâncias psicoativas. O título é Arteterapia e sofrimento psíquico associado ao uso de drogas: que relação é essa? A autoria é de Ana Cláudia A. Valladares-Torres e Jéssica C. O. Souza.
O objetivo do trabalho foi analisar as evidências das pesquisas desenvolvidas voltada a pessoas adultas em sofrimento psíquico por uso de drogas. Foi conduzida uma revisão integrativa, incluindo artigos publicados entre os anos de 2018 e 2022 nas bases de dados – BVS, SciELO, PUBMED, PePSIC e Google Acadêmico. Os descritores utilizados foram (Arteterapia) and (Transtornos relacionados ao uso de substâncias). Como resultado foi observada que a Arteterapia pode ser empregada como prática integrativa e complementar de saúde, oferecendo assistência nos cuidados em saúde mental, estimulando a energia criativa e a redução de danos psíquicos desencadeados pelo uso de substâncias.
Por fim, Natália Mayra de Lima contribuiu com o estudo de caso intitulado como Dos pequenos braços ao abraço: um relato sobre a importância do vínculo, amor incondicional e expressão de sentimentos. Foi constituído um grupo com seis crianças de
6 anos. O referencial teórico entrelaça os estudos sobre amor na relação terapêutica (Cardella, 1994) e trabalhos corporais (Arcuri, 2006). As técnicas expressivas empregadas mesclaram oficinas criativas (Alessandrini, 1996) e o jogo dramático (Slade, 1978). Foram realizados 33 encontros, com 1 hora e 30 minutos de duração cada. O estudo focalizou o processo do participante L. Os resultados apontaram para maior fluidez na expressão, maior liberdade para criar, um estado amoroso que permitiu o reconhecimento e a aceitação do outro como ele é. A autora destacou que essa transformação se estendeu a todos os participantes do grupo, inclusive à arteterapeuta.
A Revista de Arteterapia, pela qualidade dos artigos que a compõem, tornou-se uma importante fonte de pesquisa tanto para o estudante que elabora sua monografia de conclusão de curso, como para o profissional que visa à ampliação e atualização de seus conhecimentos e uma prática consistente. Nossas portas estão sempre abertas para acolher a produção científica e acadêmica de nossa comunidade arteterapêutica. As normas para a publicação estão no final de cada volume da revista. Desejamos a todos uma excelente leitura e muita inspiração para a produção de textos que possam embasar nossas práticas e consolidar a Arteterapia brasileira.