ARTETERAPIA E SUAS INTERFACES
Resumo
Os profissionais envolvidos no campo da Arteterapia sabem o quanto esta área do conhecimento demanda do arteterapeuta um diálogo com áreas afins, de maneira a enriquecer sua teoria e sua prática. Diversos são os aportes teóricos que embasam as intervenções arteterapêuticas, que podem se organizar de diferentes maneiras dependendo dos objetivos do profissional e do público a ser trabalhado. Neste sentido há desde a Arteterapia que se aproxima intensamente da psicoterapia até aquela intervenção que tece um diálogo próximo com a Arte-Educação e as Artes Visuais em geral. Com isso, compreende-se que discussões no campo das interfaces da Arteterapia mostram-se pertinentes e justificáveis.
É a partir desta proposta que o presente número da Revista de Arteterapia da AATESP acabou por se organizar. Várias foram as contribuições de profissionais de áreas como as Artes Visuais e a Psicologia, que almejaram apresentar suas pesquisas e reflexões em um periódico que se propõe a tratar especificamente da Arteterapia. Contudo, apesar de não se configurarem como arteterapeutas com especializações reconhecidas pelas associações regionais de Arteterapia, entendeu-se que suas ideias poderiam contribuir para nosso campo de conhecimento.
A primeira das contribuições desta Revista de Arteterapia da AATESP, o artigo "Os arquétipos junguianos ânima e ânimus e seu balanceamento através da arte", de autoria de Carlos Henrique Souza da Cruz, apresenta uma técnica cujo objetivo é favorecer uma integração entre as polaridades Ânima e Ânimus. O texto traz discussões teóricas e ilustrações clínicas, com resultados obtidos por meio da técnica delineada.
O segundo artigo, de autoria de Valéria Metroski de Alvarenga, denominado "De figurante à protagonista: A transição do dito “Iouco” no universo da arte", organiza-se como um estudo teórico empreendido por meio de uma revisão bibliográfica, com o intuito de contemplar as relações existentes entre Arte e “Loucura” no decorrer dos últimos séculos. Desta forma, a despeito de não discutir especificamente a Arteterapia, mostra-se como um assunto de grande valia para os arteterapeutas, seja pelo contexto histórico a partir do qual os primórdios da Arteterapia estão registrados, seja para aqueles que os profissionais atuam com Arte nos serviços de Saúde Mental.
Temos como ensaio a discussão acerca do uso da mediação no contexto psicoterapêutico a partir de um olhar psicanalítico. A autora Sandra Aparecida Serra Zanetti, com seu texto "O uso terapêutico da mediação: um entendimento psicanalítico a respeito da produção artística", aponta para uma visão inovadora sobre como o uso dos recursos expressivos pode ser compreendido, olhar este ainda pouco discutido no Brasil.
A resenha de Ana Carolina Zuanazzi discorre sobre o livro "Arteterapia e Psicanálise", apresentando fielmente as ideias expostas em tal publicação, mostrando-se como um guia de leitura para possíveis interessados no referido livro.
Por fim, a revista é finalizada com o resumo da monografia "A Arteterapia na Proposta Inclusiva, Educativa e Social de Jovens, Adultos e Idosos em Situação de Diversidade e Necessidades Especiais", de Suzi Mara Juzzio Furgeri. Tal trabalho exemplifica as possibilidades de intervenção arteterapêutica ao dispor do arteterapeuta interessado em expandir seus espaços de inserção.
Boa leitura!